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Terça-Feira | 7 de Setembro de 2010
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Palácio e Quinta Bensaúde

Fachada

Breve nota Histórica


Nos arrabaldes de Lisboa, Benfica era um sítio habitado por saloios e alguns nobres que aí, possuíam quintas.
Foi eleito como local de veraneio pelo seu clima ameno, fontes e arvoredo e também de lazer, pelas suas romarias e feiras. Só depois do terramoto de 1755, conhece grande desenvolvimento, procurando a nobreza e a alta burguesia fugir ao caos lisboeta, construindo-se então, inúmeras casas de quinta. Em 1885, o crescimento de Lisboa origina a incorporação de Benfica na cidade.
 

É no século XVIII que a Ordem Franciscana dá início à edificação de uma casa nesta quinta e destina-a a casa de repouso dos seus enfermos em recuperação.
 

É em 1889 que Constantino José de Brito apresenta à câmara um projecto de alteração para uma antiga casa de quinta, sobre a velha Estrada da Luz, projecto esse que se traduz numa mudança de gosto arquitectónico e por conseguinte, na decoração da fachada e valorização do espaço em detrimento da antiga capela.
 

É adquirida em 1906 pela família Bensaúde, grandes e conhecidos empresários, oriundos dos Açores, que iniciam uma campanha de obras que irá transformar a casa e a quinta no que são hoje os jardins e o Palácio Bensaúde.
 

O Palácio Bensaúde


Oferecendo um contraste sereno, o Palácio Bensaúde e respectivos jardins, são uma peça histórica de grande relevância, que importa conservar e tanto quanto possível valorizar.
O conjunto de propriedades, designadas primitivamente de "Quinta de Santo António das Frechas", "Quinta da Panasqueira ou do Ferrão" e "Quinta dos Prostes ou Prestes", ocupando uma área de 163.107 metros quadrados (16,3107ha), passa, após a sua aquisição pela família Bensaúde, a denominar-se “Quinta Bensaúde”.

Palácio Bensaúde
 

Pátio Lago Escadarias Com a intenção de aí residir, Vasco Bensaúde, no início do século engrandece-a embeleza-a passando a incluir um palacete, jardins e terrenos destinados à cultura de cereais.
 

Na construção da casa apalaçada, verifica-se um requintado bom gosto e uma técnica perfeita na sua execução, conferindo-lhe a fachada uma grande dignidade acusando todo o arranjo arquitectónico, a traça do seu arquitecto, Raúl Lino.
Há grandes salões, com paredes revestidas a azulejo reproduzindo figuras campestres e paisagens, tectos estucados e pintados, fogões de sala emoldurados em talha do século XVIII, com colunas em estilo salomónico.

 

O Jardim do Palácio é limitado por um muro de alvenaria (que desempenha em parte funções de suporte de terras), tendo acesso directo à Estrada da Luz por um portão de ferro, situado numa das suas extremidades. Possuía um bonito relógio de sol, perto de um pequeno caramanchão. Dispõe de um lago com pérgulas, uma grande zona de relvado e palmeiras, roseiral, buxo ornamental e um conjunto de escadarias e caminhos lajeados, cobertos por caramanchões de lilases, aproveitando todo o jardim o declive acentuado do terreno.
 

Existem ainda duas estufas quentes e uma estufa-fria, campo de ténis, canil e aviário para espécies de aves exóticas, situa-se numa área apreciável de mata do maior interesse e valor, com alguns exemplares de espécies exóticas.
 

Da Quinta constam ainda as outrora habitações do pessoal, oficina de carpintaria, cocheira e outras construções destinadas aos afazeres agrícolas.
Palácio Bensaúde - Coreto e LagoAprazível zona onde se pode desfrutar de uma benéfica tranquilidade campestre, ela constitui um pequeno pulmão verde dentro da Freguesia.
Foram seus proprietários residentes, 1889/1890 - Constantino José de Brito, 1906/1920 - Walter Bensaúde, 1920/1979 – Vasco Bensaúde.


 A propriedade foi adquirida pelo Estado em 1980, com a finalidade de nela se construir as novas instalações do Instituto Geográfico e Cadastral e se implantarem instalações provisórias ou definitivas de outros serviços.
 

Presentemente é ocupado pela Inspecção-Geral da Defesa Nacional, pelo Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência e pelos Serviços do Ministério da Saúde, Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida e Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas.
 

O edifício mantém o seu nobre aspecto exterior, embora por dentro tenha sofrido as naturais remodelações que o adaptaram ao seu fim actual.
 

Datas das principais alterações e respectivos Arquitectos


1889 - Alteração da fachada principal;
1906 - Reconstrução de cozinha e dependências;
1920 - Construção de casas de caseiro, carros e animais - Arq. Raúl Lino.
1921- Alteração da fachada principal - Arq. Raúl Lino.
Construção de Aviário, casas do pessoal e de plantas - Arq. Raúl Lino.
1922- Construção de vedação da propriedade - Arq. Raúl Lino.
Construção de arrecadação - Arq. Raúl Lino.
1923- Alteração das fachadas - Arq. Raúl Lino.
Construção de canil e de telheiro - Arq. Raúl Lino.
1924- Construção da casa da malta e palheiro - Arq. Raúl Lino.
1925- Alteração da fachada posterior - Arq. Carlos Ramos.
1928- Ampliação da casa de habitação - Arq. Carlos Ramos.
Instalação de oficinas - Arq. Carlos Ramos.
Arrecadações - Arq. Carlos Ramos.
1929- Construção de capoeiras - Arq. Carlos Ramos.
1930- Construção de uma estufa - Arq. Carlos Ramos.
Construção de um muro de vedação - Arq. Carlos Ramos.
 

Construtores
1889- desconhecido
1906- João Mário Sequeira.
1920- José da Silva.
1921- Joaquim António Vieira.
José da Silva.
1922- Joaquim António Vieira.
José da Silva.
1923- Joaquim António Vieira.
1924- Joaquim António Vieira.
1925- Joaquim António Vieira.
1928- Diamantino Francisco Tojal.
1929- Diamantino Francisco Tojal.
1930- Diamantino Francisco Tojal.
1932- Diamantino Francisco Tojal.

 

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